Visão

Sem visão, quase turva, quase esquecida
cegueira, bobeira, coisas de uma vida
A visão está torta, enrola, parece sumir
não tenho percepção de nada, exala, elixir
Por dentro da retina, muita ilusão, coisa de menina,
a mente não fala, o olhar apaga, não jorra adrenalina
A visão está em sua direção, ela cala, não embala
afasta a paixão, embaraça, me emudece, cala
A visão do eu , sumiu, sem ela o destino partiu
sem você sou um pedaço daquilo que ninguém nunca viu
Com você era diferente , a visão era nítida, clara, evidente
A visão falava, os sentidos mudavam, os ouvidos gritavam
a boca ouvia e a visão sentia, tudo era inversão, a melodia embalava,
meus sentidos mudavam de rumo, tudo enxergava, apenas a visão falava
Hoje, perdi a concentração, estou cega, sem visão
ela nem turva está mais, jaz
Houve um tempo que ela era inoxidável
hoje, inexorável, visão intolerável
Não te enxergo em nenhum espaço, tudo tosco, quebrável
Quanta visão desfrutei, de muita alegria me lambuzei,
doces e tenros momentos, que partiram com o vento
A visão está anulada, gelada a alma, calada minha calma
Não percebo você, acho que nem existe mais, não te vejo agora e nem lá atrás
Não consigo definir, se a visão fez sumir ou se o coração deixou de sentir
Não vejo nem mesmo uma sombra, um vulto, tudo me asssombra
não conssigo saber onde foi parar, aquele amor que um dia me fez delirar
Será que a visão do nada existe? irei sobre isso pensar
Pensarei até o amanhecer, talvez a visão volte, irei de novo te perceber...